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  •      A minha luta por um planeta mais verde não é de agora. Aliás, desde a escola primária que me lembro de ser uma verdadeira activista e a primeira vez que usei a internet (sim, alguns de nós crescemos num tempo em que a Internet era uma novidade) foi para visitar o site da Greenpeace.
         Mas não pensem que me deixei quebrar pelo cinismo da vida adulta. Continuo a acreditar, tal como quando tinha seis anos, que cada gesto meu pode fazer a diferença e, por isso mesmo, ainda que perante o revirar de olhos das pessoas que partilham a minha intimidade, faço questão de comprar detergentes ecológicos, produtos biológicos, tecidos orgânicos, faço questão de não gastar sacos de plásticos nos supermercados, de reciclar tudo o que pode ser reciclado e de vir de bicicleta para o trabalho, mesmo em dias de chuva (ok, admito que são só 2km de percurso, mas não interessa).
         Assim, é com muito orgulho que agora junto o meu blog a uma causa, tornando-o neutro em carbono. Para quem não sabe, mesmo um simples blog produz cerca de 3,6kg de dióxido de carbono por ano. O efeito pode ser anulado se investirmos da reflorestação e preservação das zonas verdes. É isso que a Guiato e outras organizações de todo o mundo estão a fazer. Cada blog que se junta ao movimento representa uma árvore plantada, neste caso específico uma árvore nativa na  região de Apucarana, no Paraná, Brasil. E este blog é um deles.





  •      Há quem diga que sou fundamentalista do orgânico porque insisto em comprar produtos de produção biológica, mesmo quando custam o dobro do preço. Há quem diga que sou idealista porque volta e meia faço donativos a ONGs ou recuso-me a comprar produtos que sejam fabricados em países que continuam a escravizar adultos e crianças. E há ainda quem diga que sou ingénua por acreditar que estas e outras opções de consumo fazem alguma diferença no plano geral. Pois digam o que disserem, eu sei que cada indivíduo tem poder e as suas escolhas de consumo reflectem-se na saúde e bem estar de outros seres humanos e animais.
         Este desabafo veio a propósito de uma pequena discussão doméstica à volta de ovos. A minha sogra sabe que lá em casa só entram ovos biológicos, mas como ia preparar uma refeição que eu não ia comer, utilizou dos comuns, deixando a caixa à vista. Como afinal ninguém jantou, lá ficaram os ditos para o almoço. Quando eu vi a caixa de ovos de categoria 3 comentei que não gostava de comer ovos de galinhas criadas em gaiolas e quer a minha sogra, quer o meu marido ficaram a olhar para mim com aquele ar de quem diz "lá está ela armada em salvadora do planeta e dos animais oprimidos. Come mas é os ovos, que isto sabe tudo ao mesmo, e deixa de ser parva".
         Ora o que eles não sabem e eu sei é que aqueles números e letras que estão na casca dos ovos não são apenas decorativos.  Um ovo da categoria 3 significa que vem de galinhas criadas em gaiolas, sem nunca pisarem o chão, e às quais cortam os bicos para que não se auto-mutilem ou ataquem as suas companheiras de cela. O que eles não sabem e eu sei é que são galinhas que nascem e morrem num ambiente artificial onde o dia é incomparavelmente maior do que a noite, para que elas não parem de produzir. O que eles não sabem e eu sei é que estas galinhas são alimentadas com cereais geneticamente modificados, cujas consequências para o organismo humano ainda não estão totalmente estudadas.  E o problema, infelizmente, não se fica pelas galinhas. A maioria dos produtos provenientes da agricultura e pecuária de massas, que enche as prateleiras dos nossos hipermercados, estão cheios de químicos e ingredientes geneticamente modificados para produzir maior quantidade em metade do tempo. Aliás, a alteração nas práticas agro-pecuárias nos últimos cinquenta anos são proporcionais à devastação dos solos e à diminuição da qualidade e sabor dos produtos.
          Assim, enquanto consumidores temos duas opções: ou viramos vegetarianos, algo que deve ser extremamente aborrecido e que pessoalmente não me imagino a fazer, ou começamos a ser consumidores mais conscientes, pela nossa saúde e pela saúde de outros seres humanos e animais. E não é preciso consumirmos apenas produtos amigos do ambiente. Basta fazer pequenas escolhas. Podemos não comprar ovos e carnes de produção biológica certificada, mas ao menos que compremos de animais criados ao ar livre. Podemos não comprar vegetais bio, mas ao menos que compremos aos produtores locais ou regionais. Podemos não andar por aí com t-shirts de cânhamo e sapatos de corda, mas ao menos que compremos produtos de marcas que cumpram as normas ambientais mais básicas.
         O resultado é a regra base da economia: a lei da oferta e da procura. Se cada vez mais pessoas procurarem produtos mais "verdes", mais o sector vai crescer para responder a essa procura. Simultaneamente, ao deixarmos de consumir produtos e marcas que assumidamente prejudicam o ambiente, os animais e até os seus trabalhadores, obrigamo-las a mudar as suas políticas e métodos de produção. Porque no fim, não é só o nosso corpo que reflecte aquilo que comemos. É também a nossa alma.

    imagem retirada deste blog 


    Para mais informação acerca do que andamos a comer, aconselho o documentário Food, Inc. Vejam aqui o trailer: